domingo, 28 de fevereiro de 2016

Tudo aquilo o que ficou por dizer

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Começou do mesmo jeito que terminou: do nada. A gente não pede pra se encantar, mas os detalhes sempre estão presentes para que a gente queira amar outra vez. Você foi o primeiro riso que meu coração deu, ainda que bem pequenininha, e crescer com teu riso foi uma das maiores alegrias que minha alma já teve. Tentei afastar-me de você várias vezes, você tentou afastar-se de mim, mas foi – para mim ainda é – difícil porque o cupido tem um jeito estranho de agir e seus detalhes ainda estão lá.

Sei que já fazem algumas estações, eu mudei e você também, mas ainda somos nós. Não venho atrapalhar o que já está feito ou tirar o seu sono, mas não tive tempo de despedir-me e não quero que as lembranças sejam pra sempre o que ficou por dizer. Assim como eu, você deve se lembrar de algumas coisas sobre nós. Lembro que sorrisos e boas histórias não faltaram. Tinha gosto de aventura, cheiro de orvalho e frio na barriga. Gosto das trilhas que você gosta de fazer e que eu nunca pude acompanhar, cheiro das madrugadas em que passamos juntos pelas ruas da cidade que tanto amamos e, frio na barriga. Aquele frio na barriga entre as piadas e os abraços meio tímidos, de quem não assumia romance pro mundo, mas era evidente nas piadas dos amigos, nos risos, nas fotos e nos vídeos.

Era quente como o sol das 15, suave como a brisa das 9 e corajoso. Extremamente corajoso. Coragem que você teve algumas centenas de vezes mais do que eu. Coragem para me buscar todos os dias, coragem para ver minha novela favorita comigo sem se queixar, coragem para enfrentar meu coração confuso e bagunçado, coragem para ignorar o resto do mundo por mim. Sinto muito por não ter sido o seu mais raro amor. Sinto muito por tudo isso e por não ter compartilhado mais séries de terror com você ou versos das canções de Skank ou Red Hot Chili Peppers noite à dentro. Sinto muito por não ter ficado mais um pouco quando você pediu, sinto muito por não ter pulado sua janela mais uma vez ao invés de entrar pela porta (acho que você gostava, já que sempre ria – talvez do meu jeito desastroso, mas sempre ria).

Você sabe o motivo de não termos dado certo? Talvez tenhamos errado, especialmente eu com minha insegurança e por não ter te procurado ou te ligado mais uma vez para te convencer de que daquela vez eu não iria largar tua mão. Mas se a vida nos botou no mesmo caminho mais de uma vez, quem sabe, numa curva bem fechada lá na frente, a gente volte a se cruzar? Assim como meu olhar cruzou o teu em vários Carnavais ou como naquela praia, onde teus olhos castanho-escuro me encantaram muito mais do que o contraste do azul do céu com o azul do mar no horizonte – é que mais belo horizonte do que aquele, tinha o brilho da água na tua pele. (Eu já te disse que deveria ter te beijado ali?)

Hoje eu sei porque nessas esquinas vejo teu olhar. É que em algum lugar do meu ser eu sei que nunca houve uma despedida, não uma no mais direto sentido da palavra, mas sim daquele jeito em que a gente sente lá no coração. Naquela noite você passou por mim, deu um sorriso meio sem graça e seguiu... talvez seja por isso que ainda me sinto tão seu.

(Mas vai menino, voa... com quem quer que seja, seja feliz; porque tua alma é livre e leve, mas me leve sempre, como levo livremente pro mundo ver que cê me fez – e faz ainda que longe – bem. Me leve, como levo a lembrança do sol na tua pele, suas gírias, seu sorriso e teu olhar. Apenas me leve). 


Angélica Maria

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Um feriado, um beijo e um poema

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Dizem que curar um amor com outro é que nem enxugar o corpo com toalha molhada  no meu caso seria burrice cair em tanto drama de novo  mas desde que tropecei e te encontrei: te esbarro, te penso e te encontro.

Não espero que cê queira ficar, não vou enlouquecer; já vi gente perder a cabeça pelo primeiro beijo que não teve um segundo e mesmo que tenhamos tido um segundo e um terceiro, e mesmo que cê não fique, teu cheiro ficou e em mim ainda cê fica. Não perdi a cabeça e que fique assim, num beijo, num feriado e num poema: te gosto.

E te escrevo porque te gosto, só sei ser assim; escrevo até quando não quero, te escreveria mesmo que tivesse odiado o som da tua voz ou o modo como colocou a mão na minha cintura. Não é amor e nem espero que seja. Ando me curando e cê tem sido bom remédio.

Não precisa ser par, pegar minha mão e não soltar, não é necessário promessas, um futuro, ter juízo ou avisar sobre sua sexta à noite. Não precisa me mandar mensagens, mas eu espero por elas. Só quero que ainda cê me morda os lábios, divida teu copo comigo, passe minutos trocando teus gostos  tatuagens, livros e filmes  e que faça da tua alma pássaro que voa com a minha.

Te conheci há muito tempo, mas só agora minha alma viu a tua; onde te esbarrou, te pensou, te encontrou e: te gostou.


Angélica Maria
Escolhas Alternativas © 2014