sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Nova Ortografia

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

De Concreto só a certeza de que esse negócio de ser Abstrato dói.
"É culpa do teu coração mole, seja mais coração de pedra!"
Eles dizem.
Bobagem.
Não quero ser Simples sendo só eu. 
Nem quero ser Derivado de alguém.
Ainda acho um Adjetivo pra mim, mas tudo bem ser inteira.
Não preciso da metade de ninguém
Não preciso ser metade de ninguém.
De Composto uma coisa só:

Amor-Próprio.



Angélica Maria

terça-feira, 15 de novembro de 2016

bença, vó!

terça-feira, 15 de novembro de 2016

boa tarde, vó! bença! eu num ia te escrever porque num queria dizer que tá foda sem a senhora, sem seu jeito debochado de ser - zomba de mim daí do céu, tá? eu queria era pegar um ônibus, ficar o dia inteiro na estrada, ver prédio virar mato e cada curva ser confirmação de que tô chegando em casa - que é sinônimo do seu abraço, vó. queria subir a escada, abraçar minha mãe enquanto ela fala "vai lá ver sua vó", chegar na porta do quarto, te ver forçar a vista, abrir esse riso bonito e dizer "ó, neneca chegou". sua neneca tá aqui, vó. sua neneca voltou como disse que voltaria e vou chegar pra sempre pra senhora, vó. não importa tempo que passe e saudade que me sufoque por 167km. vou sempre subir a escada, largar a mochila e te buscar, vó. eu disse que num ia te escrever, mas escrevi. escrevi porque sempre achei sua letra linda e, mesmo cê dizendo que nunca gostou de estudar, sempre sentiu orgulho de tudo que fiz - por isso te marquei na pele, vó. estudo pensando na senhora, no amor que tenho pelos bicho e que cê num entende, mas ouve sempre com muita graça meus causos e pergunta sempre com muita curiosidade se bicho e gente é igual. sua sabedoria era da vida, vó. vida que vai ser sempre o que vai me lembrar do'cê e onde, sem gostar de estudar, a senhora foi professora. ensinou pra mim, minha mãe e meu irmão, que viver é o mais simples e nobre - sem contar as receitas à mão que embalam meu fogão e sua dúvida de como fiz aquilo sem leite e ovos. coração nobre que a senhora tinha, vó. tão nobre que foi sempre o que te adoeceu. sentia demais. amava demais. me protegia quando eu não merecia e, foi a primeira a entender meu jeito de ser e de me vestir, mesmo que ainda não goste da minha calça rasgada - eu não joguei ela fora e nem vou, vó... logo rasgo outra. tudo me lembra a senhora: as curvas, o café, as receitas, minhas aulas, meus gatos, a calça rasgada, a vida. vida bonita a da senhora e benção dos deuses que tenho de ser sua "niquinha". pra sempre, vó. pra sempre volto pra senhora, te peço a benção, te levo um café, te marquei na pele, te carrego no coração, te tenho na alma, te vivo e te amo, vó.

(fico de férias em dezembro, chego no final de semana, vó. bença!)



Angélica Maria




sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Máquina de Escrever

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Ia escrever sobre você nela, mas a fita de tinta acabou. Ainda bem que o tempo passa: se não nela, uma folha e uma caneta — quem sabe uma tela de celular. Até lá, que bom que o tempo passa. Te transformo em mais verso dentro de mim, te escrevo no peito e te faço história.


Angélica Maria

sábado, 27 de agosto de 2016

Quando nos Vênus

sábado, 27 de agosto de 2016

Vênus e Júpiter se reencontrarão esta noite. Ficarão em tão perfeita sintonia que por alguns instantes serão um só. Isso me lembra os poucos momentos em que nenhuma colisão de meteoros faria estrago em nós, nada ultrapassaria nossa atmosfera. A distância entre eles ainda será enorme, mas um beijo é sempre um beijo, mesmo que o próximo venha em 50 anos. Isso te lembra algo? Tantas voltas demos em torno de nós mesmos, em torno de outros corpos celestes, e eu, sempre meio torta, dei tantas voltas ao contrário que só Vênus entenderia. Ficamos assim, meu bem; hoje não entramos em conjunção, mas um dia, daqui a um mês ou 50 anos, quem sabe, a gente não se encontre em uma galáxia qualquer?

Te espero e juro à Marte.



Angélica Maria

domingo, 13 de março de 2016

Eu num ia escrever mais

domingo, 13 de março de 2016

Disse que num ia escrever, pra escrever tem que sentir; poeta só escreve quando sente e eu nem sei se sinto – mas sinto muito, mesmo que eu não perceba que sinto minhas mãos escrevem e nem poeta eu sou. Poeta eu num sou, mas cê é poesia; daquelas cheias de rimas e palavras bonitas que a gente num entende, mas a alma entende. Poesia como sol da manhã e cheiro de flor, café da tarde e cafuné, noite estrelada e brisa. Poesia é borboleta que voa colorindo os jardins – e cê é flor, amor. Disse que num ia escrever, mas escrevi. Disse que num sentia, mas sinto: te sinto e se não posso te ter te transformo em poesia e nem poeta eu sou, mas qualquer amante poeta é quando encontra um jardim. 

Na ponta no meu lápis e na imensidão do meu ser cê é verso e flor.


Angélica Maria

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Tudo aquilo o que ficou por dizer

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Começou do mesmo jeito que terminou: do nada. A gente não pede pra se encantar, mas os detalhes sempre estão presentes para que a gente queira amar outra vez. Você foi o primeiro riso que meu coração deu, ainda que bem pequenininha, e crescer com teu riso foi uma das maiores alegrias que minha alma já teve. Tentei afastar-me de você várias vezes, você tentou afastar-se de mim, mas foi – para mim ainda é – difícil porque o cupido tem um jeito estranho de agir e seus detalhes ainda estão lá.

Sei que já fazem algumas estações, eu mudei e você também, mas ainda somos nós. Não venho atrapalhar o que já está feito ou tirar o seu sono, mas não tive tempo de despedir-me e não quero que as lembranças sejam pra sempre o que ficou por dizer. Assim como eu, você deve se lembrar de algumas coisas sobre nós. Lembro que sorrisos e boas histórias não faltaram. Tinha gosto de aventura, cheiro de orvalho e frio na barriga. Gosto das trilhas que você gosta de fazer e que eu nunca pude acompanhar, cheiro das madrugadas em que passamos juntos pelas ruas da cidade que tanto amamos e, frio na barriga. Aquele frio na barriga entre as piadas e os abraços meio tímidos, de quem não assumia romance pro mundo, mas era evidente nas piadas dos amigos, nos risos, nas fotos e nos vídeos.

Era quente como o sol das 15, suave como a brisa das 9 e corajoso. Extremamente corajoso. Coragem que você teve algumas centenas de vezes mais do que eu. Coragem para me buscar todos os dias, coragem para ver minha novela favorita comigo sem se queixar, coragem para enfrentar meu coração confuso e bagunçado, coragem para ignorar o resto do mundo por mim. Sinto muito por não ter sido o seu mais raro amor. Sinto muito por tudo isso e por não ter compartilhado mais séries de terror com você ou versos das canções de Skank ou Red Hot Chili Peppers noite à dentro. Sinto muito por não ter ficado mais um pouco quando você pediu, sinto muito por não ter pulado sua janela mais uma vez ao invés de entrar pela porta (acho que você gostava, já que sempre ria – talvez do meu jeito desastroso, mas sempre ria).

Você sabe o motivo de não termos dado certo? Talvez tenhamos errado, especialmente eu com minha insegurança e por não ter te procurado ou te ligado mais uma vez para te convencer de que daquela vez eu não iria largar tua mão. Mas se a vida nos botou no mesmo caminho mais de uma vez, quem sabe, numa curva bem fechada lá na frente, a gente volte a se cruzar? Assim como meu olhar cruzou o teu em vários Carnavais ou como naquela praia, onde teus olhos castanho-escuro me encantaram muito mais do que o contraste do azul do céu com o azul do mar no horizonte – é que mais belo horizonte do que aquele, tinha o brilho da água na tua pele. (Eu já te disse que deveria ter te beijado ali?)

Hoje eu sei porque nessas esquinas vejo teu olhar. É que em algum lugar do meu ser eu sei que nunca houve uma despedida, não uma no mais direto sentido da palavra, mas sim daquele jeito em que a gente sente lá no coração. Naquela noite você passou por mim, deu um sorriso meio sem graça e seguiu... talvez seja por isso que ainda me sinto tão seu.

(Mas vai menino, voa... com quem quer que seja, seja feliz; porque tua alma é livre e leve, mas me leve sempre, como levo livremente pro mundo ver que cê me fez – e faz ainda que longe – bem. Me leve, como levo a lembrança do sol na tua pele, suas gírias, seu sorriso e teu olhar. Apenas me leve). 


Angélica Maria

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Um feriado, um beijo e um poema

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Dizem que curar um amor com outro é que nem enxugar o corpo com toalha molhada  no meu caso seria burrice cair em tanto drama de novo  mas desde que tropecei e te encontrei: te esbarro, te penso e te encontro.

Não espero que cê queira ficar, não vou enlouquecer; já vi gente perder a cabeça pelo primeiro beijo que não teve um segundo e mesmo que tenhamos tido um segundo e um terceiro, e mesmo que cê não fique, teu cheiro ficou e em mim ainda cê fica. Não perdi a cabeça e que fique assim, num beijo, num feriado e num poema: te gosto.

E te escrevo porque te gosto, só sei ser assim; escrevo até quando não quero, te escreveria mesmo que tivesse odiado o som da tua voz ou o modo como colocou a mão na minha cintura. Não é amor e nem espero que seja. Ando me curando e cê tem sido bom remédio.

Não precisa ser par, pegar minha mão e não soltar, não é necessário promessas, um futuro, ter juízo ou avisar sobre sua sexta à noite. Não precisa me mandar mensagens, mas eu espero por elas. Só quero que ainda cê me morda os lábios, divida teu copo comigo, passe minutos trocando teus gostos  tatuagens, livros e filmes  e que faça da tua alma pássaro que voa com a minha.

Te conheci há muito tempo, mas só agora minha alma viu a tua; onde te esbarrou, te pensou, te encontrou e: te gostou.


Angélica Maria

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Praça da Saudade

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

“Amor, veja bem, arranjei alguém chamado saudade”

Chove lá fora, moço
É verão, mas dentro de mim só frio
Então, desde que você se foi sou rio;
Mas diferente de chuva que acalma ao dormir
Não durmo;
Seu número não chamo mais
E nossa música não toca mais
E está tão tarde
E eu sou saudade;
Sou saudade do que aconteceu
Sou saudade do que a gente sonhou e não realizou
Sou saudade do que deixamos pra trás
Sou praça da saudade – onde primeiro beijo cê me deu;
Onde meu “cê não presta” já avisava
Onde seu abraço me esquentava
Onde naquele banco o tempo voava
Onde seu sorriso meio torto já avistava
Que eu seria tempestade em forma de saudade; 
Chove lá fora, moço
Mas também chove dentro de mim.

Aprende, menina...
“Saudade só é bonita quando ambos a sentem”

(E você não sente)


Angélica Maria

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