sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Akai Ito: sobre soltar e não se deixar

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

"Um fio invisível conecta os que estão destinados a conhecer-se independentemente do tempo, lugar ou circunstância. O fio pode esticar-se ou emaranhar-se, mas nunca irá se partir."

Akai Ito (ou Fio Vermelho do Destino) é uma lenda oriental e conta que, todos nós estamos conectados à alguém por um fio vermelho. Em uma das versões, esse fio está conectando as duas pessoas pelos tornozelos, na outra, pelo dedo mindinho. O fio pode se embolar, aumentar de tamanho devido à distância entre elas, mas nunca se soltar.

Terminar uma relação, principalmente quando ela é recheada de histórias, memórias, sorrisos e cicatrizes, é uma das coisas mais difíceis a se fazer. É aquela sensação de confusão. Se sentir perdido sem saber o que fazer com a metade que sobrou depois de todo um inteiro ter ido embora. Ainda mais quando o inteiro era tudo o que se esperava e gostava, mas que entre todas as juras e mais "damos certo" do que "damos errado", deu errado. E a gente vai jogando toda essa bagunça pra algum canto esperando que se limpe sozinha, mas ela só cresce. A sensação piora quando os dias passam e se pode ver com clareza os medos, as fraquezas e os erros. Os seus e os dos outros. Percebemos o quanto eramos incontrolavelmente impulsivos, tão iguais e tão opostos e aí as perguntas são outras: quando demos tão certo? Quando demos tão errado? A memória embaça. 

O distanciamento é individual, a superação é particular. Há quem dê adeus sem mágoas, sem ofensas, sem julgamentos, levando o abraço na pele, a saudade na alma e as recordações no coração. Passou. Acabou. Tinha que acabar. E quando não acaba? Quando os meses passam, cada um segue seu rumo, mas a vida dá um jeito de botar a pessoa no teu caminho de novo (ou você no caminho dela, não sei). Realmente não acaba.

Não acredito em destino, acho que o destino quem faz somos nós através de nossas escolhas, mas seria mentira se eu não acreditasse que existe uma força que depois de tantos acontecimentos me faz entender os motivos de como as coisas aconteceram daquele jeito. Então, as coincidências fazem sentido e passo a acreditar firmemente que duas linhas não se cruzam a toa - principalmente mais de uma vez. 

Eu tô falando é sobre dar qualquer desculpa, se despedir e seguir em frente. Aproveitar as festas, os amigos, a família. Para logo chegar em casa e a saudade virar uma olhadinha rápida no celular, esperando que as lembranças sejam compartilhadas. Logo qualquer coisa te remete ao passado e o primeiro copo é desculpa pra querer dizer "Ei, lembrei de você". É sobre se separar, mas sempre voltar. É sobre se soltar, mas nunca se deixar (não realmente). E então, são nas idas que se tornam voltas que a gente percebe que valeu a pena e que ainda vale, basta querer.

A sabedoria oriental diz que um encontro é o acaso, mas um reencontro é o destino.

Talvez seja.


Angélica Maria

8 comentários:

  1. Espero que eu esteja conectada à pessoa com quem eu estou hoje, porque eu realmente sinto que é a pessoa certa!
    Adorei o texto!

    Abraço,
    literarizei.blogspot.com

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  2. Moça do céu que texto maravilhoso.
    E não conhecia essa teoria, mas amei.
    Espero que se houve rum fio de verdade o meu por mais que embole jamais se quebre.
    Beijo

    www.tecontopoesia.com

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  3. Muuuuito bom! Não sabia sobre isso do fio vermelho, e já vi muitas fotos como esta do post hahaha.
    Você escreve maravilhosamente bem.
    Bjs
    Sentimentos Apurados ♥

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  4. Demais!!!
    Adorei sue blog ;)

    http://heyimwiththeband.blogspot.com.br/

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  5. Não sei o que dizer sobre o seu texto haha A pessoa com quem estou hoje com certeza está conectada à mim, são tantas histórias sobre coincidências e destino que temos juntos que é incrível, e eu espero nunca sair da vida dele ♥

    http://guitarrebel.blogspot.com.br/

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  6. Eu tinha ouvido falar essa lenda, e eu, assim como você, não acredito em destino. Mas quando eu penso no meu relacionamento eu realmente acho que somos feitos um pro outro. A gente começou com 14, terminamos com 18, mas nunca nos esquecíamos. Namorei outro e ele outra, mas ai que terminamos na mesma época e mesmo sendo o recente o término a gente se esqueceu de tudo e resolvemos nos dar mais uma chance depois de 5 anos. Estou muito feliz, temos nossos altos e baixos, normal.

    Beijos, Love is Colorful

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