sexta-feira, 16 de outubro de 2015

As convenções sociais, o sertanejo universitário e o amor.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Passei algumas horas num mesmo espaço que outras pessoas que tinha acabado de conhecer pelo o que as convenções sociais exigiam. Nesse pouco tempo conversamos sobre tudo e mais um pouco: família, os deveriam ser família e o tipo de família que queremos ser, amigos e os que deveriam ter sido amigos, saudade de casa, saudade do interior, economia, política, solidariedade, movimentos sociais, videogame, sonhos realizados, sonhos guardados dentro das gavetas, sonhos que foram apenas sonhos, sonhos que nos foram tirados, estudos, essa garra que se deve ter hoje em dia para simplesmente viver, trabalho  o que inclui a garra que se deve ter hoje em dia para simplesmente viver hobbies como luta e dança, paixões que viram rotina em forma de estudo, de carreira, ou de apenas paixões  e que mesmo sendo paixões nos deixam com frio na barriga numa mistura de felicidade e medo , paixão por animais, paixão por eternizar desenhos, paixão por botar em frase o que tá dentro da alma, paixão por alguém que se foi. 

Se tem um assunto que resume tudo o que debati hoje, esse assunto é o amor (ou a falta dele). Ecoava do andar debaixo a saudade de alguém, sentimento que vinha de várias pessoas diferentes em forma de música. Aquelas músicas com refrões clichê, interpretadas por cantores que, como alguém de coração partido naquele cômodo me disse: "Parece que esses caras entram na sua vida, acabam lendo suas mensagens, Whatsapp e Facebook, e daí pronto... sai o CD inteiro sobre você e toda sua vida". É verdade... o Jorge e o Mateus foram eleitos por unanimidade como destruidores de miocárdio. Trocamos de playlist algumas vezes, mas sempre voltávamos para o sertanejo universitário e para o 'modão', o que não tem nada a ver com nossas roupas ou estilo musical em geral, mas que "por incrível que pareça, eu sei dançar" (disseram), faziam de nós pessoas completamente apaixonadas por pessoas completamente desligadas em detalhes. 

Uma dessas pessoas passou relativamente um tempo maior comigo e com toda essa bagunça. Em poucos minutos eu já ouvi: "Você tem o gênio forte, não é?". Em cheio! Eu estava sendo analisada, e não demorou muito para ouvir coisas sobre mim que me deram um leve susto: "Eu não te namoraria, não conseguiria lidar com tanto. Você é fogo, mas sabe, você é uma pessoa bacana... é doce!". Doce como deveria ser o amor? Fogo como o amor realmente é? Entre tantas metáforas e analogias que fizemos sobre o amor e sobre a falta dele, o que mais nos chamou a atenção é que o amor é feito de detalhes e que todas as pessoas para quem escrevíamos indiretas no status do Whatsapp não souberam lidar com estes detalhes ou simplesmente percebe-los e admirá-los pelo o que são. Em todos nós, pessoas diferentes, com histórias diferentes, existe essa mistura do fogo e do doce; a mistura que, assim como me disseram, é forte demais para que essas pessoas conseguissem lidar. 

Em poucas horas alguém que nunca tinha visto ou conversado, notou mais detalhes em mim do que muita gente que me viu crescer, ou ao menos, essa pessoa foi sincera o suficiente para me dizer tudo isso logo sem gaguejar. Assim, percebemos também que, as convenções sociais que me prenderam naquele lugar com aquelas pessoas, são as mesmas convenções sociais que nos dizem para não demonstrar saudade quando se sente, para não demonstrar tanto amor quanto se sente, para não mandar aquela mensagem, para não fazer aquela ligação, para não pedir aquele perdão, para não abrir demais seu coração, para não correr atrás. O motivo? A outra pessoa deve demonstrar saudade primeiro; se você demonstrar amor demais, estará fazendo 'papel de trouxa'; ligar e mandar mensagem? Trouxa! Pedir perdão? Pau mandado! Foi abrir demais o coração e agora vai ser pisado; não se deve correr atrás, já que, se a outra pessoa gostasse de verdade, ela quem iria te procurar. As mesmas besteiras de convenções sociais que afastam duas pessoas pelo simples fato de amarem. 

De tudo o que conversei hoje, a conclusão que tiro sobre a mistura de fogo e de doce chamada amor é que, ele é como as paixões: dá alegria e medo; é como o sertanejo universitário, o 'modão' e o forró: sozinho é tortura, só vale se for para dançar a dois; é como o desenho que alguém eterniza, a frase que crio através do que sinto dentro de mim: é arte, é poesia; e é, principalmente, como os detalhes... por isso, digo sem pensar duas vezes: fique com alguém que perceba seus detalhes e os admire por mais difíceis de lidar que sejam, que esqueça as convenções sociais, que te procure, que grite pro mundo sem medo de ser 'feito de trouxa', que consiga lidar com você e seu gênio forte, e que, faça com que o amor seja o que ele deve ser sempre: fogo e doce. 


Angélica Maria

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

A vida é tão fácil, menina...

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Menina, a vida é tão fácil de ser vivida...
O negócio é que a gente se complica muito.
A gente só pensa no que ainda vai vir,
Se enche de medo e preocupação.
A gente se esquece 
De que tem amor pra dar
De que tudo o que precisamos
É alguém pra poder contar no final do dia.
E sabe, menina...
Eu tenho os dois.


(Tenho os dois
Posso ser os dois
E tenho Coca-Cola também)



Angélica Maria

domingo, 4 de outubro de 2015

Se ocê flor...

domingo, 4 de outubro de 2015

Vento com tanto pra dar,
Jogou (ocê)mente aqui.
Terra frágil e fresca aceitou
De solo aberto tudo o que tinha.
Com tanto jardim por aí,
Regou ocê justamente aqui.
E aqui: só – tão só – fez cres(cê)r.
Sabia da roda, uma hora
Ocê ia...
Mas (re)torcia nossa raiz.
Quando ocê for – saudade é flor – ocê:
Jardim.
E de todos os laços em raiz
Desatei
Nós.
Jardim, en(fim)
Por(fim)
Secou.

(Sendo ventania como só sei ser:
Eu)


Angélica Maria
Escolhas Alternativas © 2014