terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Uni(verso) dos teus olhos

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Buraco Negro: (...) região do espaço da qual nada, nem mesmo objetos que se movam na velocidade da luz, podem escapar


Já escrevi tanto poema sobre os teus olhos
E ainda só desejo que cê visse nos meus
Tudo o que eu vejo nos teus
Mesmo que eu ainda não saiba o que me inquieta tanto neles
É feito buraco negro
Onde mesmo sendo escuridão eu procuro luz
Onde mesmo que eu fuja na velocidade da luz
A gravidade me força a voltar a ti
Eu que sempre tive medo de desvendarem meu universo
Fiz do'cê constelação no meu céu
Eu nunca me permiti ser olhada tempo demais
Cê me cora o rosto
Mas vê se entende agora:
Tenho medo do’cê escancarar tanto meu peito
A ponto de ver meu coração
É que eu não sei o que fazer com tantas colisões
Mas ainda desejo – e só desejo – que cê veja nos meus olhos
Toda galáxia que vejo nos teus
Onde no Uni(verso) dos teus olhos
Me faço poeta
E vejo – e escrevo – assim
No presente
Mesmo que cê já tenha feito de mim passado
Porque se tem algo que não passa
É a imensidão do que eu chamo de nós



Angélica Maria

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Akai Ito: sobre soltar e não se deixar

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

"Um fio invisível conecta os que estão destinados a conhecer-se independentemente do tempo, lugar ou circunstância. O fio pode esticar-se ou emaranhar-se, mas nunca irá se partir."

Akai Ito (ou Fio Vermelho do Destino) é uma lenda oriental e conta que, todos nós estamos conectados à alguém por um fio vermelho. Em uma das versões, esse fio está conectando as duas pessoas pelos tornozelos, na outra, pelo dedo mindinho. O fio pode se embolar, aumentar de tamanho devido à distância entre elas, mas nunca se soltar.

Terminar uma relação, principalmente quando ela é recheada de histórias, memórias, sorrisos e cicatrizes, é uma das coisas mais difíceis a se fazer. É aquela sensação de confusão. Se sentir perdido sem saber o que fazer com a metade que sobrou depois de todo um inteiro ter ido embora. Ainda mais quando o inteiro era tudo o que se esperava e gostava, mas que entre todas as juras e mais "damos certo" do que "damos errado", deu errado. E a gente vai jogando toda essa bagunça pra algum canto esperando que se limpe sozinha, mas ela só cresce. A sensação piora quando os dias passam e se pode ver com clareza os medos, as fraquezas e os erros. Os seus e os dos outros. Percebemos o quanto eramos incontrolavelmente impulsivos, tão iguais e tão opostos e aí as perguntas são outras: quando demos tão certo? Quando demos tão errado? A memória embaça. 

O distanciamento é individual, a superação é particular. Há quem dê adeus sem mágoas, sem ofensas, sem julgamentos, levando o abraço na pele, a saudade na alma e as recordações no coração. Passou. Acabou. Tinha que acabar. E quando não acaba? Quando os meses passam, cada um segue seu rumo, mas a vida dá um jeito de botar a pessoa no teu caminho de novo (ou você no caminho dela, não sei). Realmente não acaba.

Não acredito em destino, acho que o destino quem faz somos nós através de nossas escolhas, mas seria mentira se eu não acreditasse que existe uma força que depois de tantos acontecimentos me faz entender os motivos de como as coisas aconteceram daquele jeito. Então, as coincidências fazem sentido e passo a acreditar firmemente que duas linhas não se cruzam a toa - principalmente mais de uma vez. 

Eu tô falando é sobre dar qualquer desculpa, se despedir e seguir em frente. Aproveitar as festas, os amigos, a família. Para logo chegar em casa e a saudade virar uma olhadinha rápida no celular, esperando que as lembranças sejam compartilhadas. Logo qualquer coisa te remete ao passado e o primeiro copo é desculpa pra querer dizer "Ei, lembrei de você". É sobre se separar, mas sempre voltar. É sobre se soltar, mas nunca se deixar (não realmente). E então, são nas idas que se tornam voltas que a gente percebe que valeu a pena e que ainda vale, basta querer.

A sabedoria oriental diz que um encontro é o acaso, mas um reencontro é o destino.

Talvez seja.


Angélica Maria

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Sussurros

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Dizem que quando se quer muito algo, quando se está prestes à realizar alguma coisa ou quando se está muito feliz, deve-se ficar quieto, caladinho, já que as paredes têm ouvidos e a inveja, sono leve. Eu não concordo. Acho que todos nós merecemos explodir vez ou outra. De céu, janela e peito aberto. Apenas merecemos. Mas dentre todas essas restrições, com uma eu concordo sem tirar nem meia letra: no amor o sussurro é mais forte que o grito.


Angélica Maria

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

As convenções sociais, o sertanejo universitário e o amor.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Passei algumas horas num mesmo espaço que outras pessoas que tinha acabado de conhecer pelo o que as convenções sociais exigiam. Nesse pouco tempo conversamos sobre tudo e mais um pouco: família, os deveriam ser família e o tipo de família que queremos ser, amigos e os que deveriam ter sido amigos, saudade de casa, saudade do interior, economia, política, solidariedade, movimentos sociais, videogame, sonhos realizados, sonhos guardados dentro das gavetas, sonhos que foram apenas sonhos, sonhos que nos foram tirados, estudos, essa garra que se deve ter hoje em dia para simplesmente viver, trabalho  o que inclui a garra que se deve ter hoje em dia para simplesmente viver hobbies como luta e dança, paixões que viram rotina em forma de estudo, de carreira, ou de apenas paixões  e que mesmo sendo paixões nos deixam com frio na barriga numa mistura de felicidade e medo , paixão por animais, paixão por eternizar desenhos, paixão por botar em frase o que tá dentro da alma, paixão por alguém que se foi. 

Se tem um assunto que resume tudo o que debati hoje, esse assunto é o amor (ou a falta dele). Ecoava do andar debaixo a saudade de alguém, sentimento que vinha de várias pessoas diferentes em forma de música. Aquelas músicas com refrões clichê, interpretadas por cantores que, como alguém de coração partido naquele cômodo me disse: "Parece que esses caras entram na sua vida, acabam lendo suas mensagens, Whatsapp e Facebook, e daí pronto... sai o CD inteiro sobre você e toda sua vida". É verdade... o Jorge e o Mateus foram eleitos por unanimidade como destruidores de miocárdio. Trocamos de playlist algumas vezes, mas sempre voltávamos para o sertanejo universitário e para o 'modão', o que não tem nada a ver com nossas roupas ou estilo musical em geral, mas que "por incrível que pareça, eu sei dançar" (disseram), faziam de nós pessoas completamente apaixonadas por pessoas completamente desligadas em detalhes. 

Uma dessas pessoas passou relativamente um tempo maior comigo e com toda essa bagunça. Em poucos minutos eu já ouvi: "Você tem o gênio forte, não é?". Em cheio! Eu estava sendo analisada, e não demorou muito para ouvir coisas sobre mim que me deram um leve susto: "Eu não te namoraria, não conseguiria lidar com tanto. Você é fogo, mas sabe, você é uma pessoa bacana... é doce!". Doce como deveria ser o amor? Fogo como o amor realmente é? Entre tantas metáforas e analogias que fizemos sobre o amor e sobre a falta dele, o que mais nos chamou a atenção é que o amor é feito de detalhes e que todas as pessoas para quem escrevíamos indiretas no status do Whatsapp não souberam lidar com estes detalhes ou simplesmente percebe-los e admirá-los pelo o que são. Em todos nós, pessoas diferentes, com histórias diferentes, existe essa mistura do fogo e do doce; a mistura que, assim como me disseram, é forte demais para que essas pessoas conseguissem lidar. 

Em poucas horas alguém que nunca tinha visto ou conversado, notou mais detalhes em mim do que muita gente que me viu crescer, ou ao menos, essa pessoa foi sincera o suficiente para me dizer tudo isso logo sem gaguejar. Assim, percebemos também que, as convenções sociais que me prenderam naquele lugar com aquelas pessoas, são as mesmas convenções sociais que nos dizem para não demonstrar saudade quando se sente, para não demonstrar tanto amor quanto se sente, para não mandar aquela mensagem, para não fazer aquela ligação, para não pedir aquele perdão, para não abrir demais seu coração, para não correr atrás. O motivo? A outra pessoa deve demonstrar saudade primeiro; se você demonstrar amor demais, estará fazendo 'papel de trouxa'; ligar e mandar mensagem? Trouxa! Pedir perdão? Pau mandado! Foi abrir demais o coração e agora vai ser pisado; não se deve correr atrás, já que, se a outra pessoa gostasse de verdade, ela quem iria te procurar. As mesmas besteiras de convenções sociais que afastam duas pessoas pelo simples fato de amarem. 

De tudo o que conversei hoje, a conclusão que tiro sobre a mistura de fogo e de doce chamada amor é que, ele é como as paixões: dá alegria e medo; é como o sertanejo universitário, o 'modão' e o forró: sozinho é tortura, só vale se for para dançar a dois; é como o desenho que alguém eterniza, a frase que crio através do que sinto dentro de mim: é arte, é poesia; e é, principalmente, como os detalhes... por isso, digo sem pensar duas vezes: fique com alguém que perceba seus detalhes e os admire por mais difíceis de lidar que sejam, que esqueça as convenções sociais, que te procure, que grite pro mundo sem medo de ser 'feito de trouxa', que consiga lidar com você e seu gênio forte, e que, faça com que o amor seja o que ele deve ser sempre: fogo e doce. 


Angélica Maria

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

A vida é tão fácil, menina...

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Menina, a vida é tão fácil de ser vivida...
O negócio é que a gente se complica muito.
A gente só pensa no que ainda vai vir,
Se enche de medo e preocupação.
A gente se esquece 
De que tem amor pra dar
De que tudo o que precisamos
É alguém pra poder contar no final do dia.
E sabe, menina...
Eu tenho os dois.


(Tenho os dois
Posso ser os dois
E tenho Coca-Cola também)



Angélica Maria

domingo, 4 de outubro de 2015

Se ocê flor...

domingo, 4 de outubro de 2015

Vento com tanto pra dar,
Jogou (ocê)mente aqui.
Terra frágil e fresca aceitou
De solo aberto tudo o que tinha.
Com tanto jardim por aí,
Regou ocê justamente aqui.
E aqui: só – tão só – fez cres(cê)r.
Sabia da roda, uma hora
Ocê ia...
Mas (re)torcia nossa raiz.
Quando ocê for – saudade é flor – ocê:
Jardim.
E de todos os laços em raiz
Desatei
Nós.
Jardim, en(fim)
Por(fim)
Secou.

(Sendo ventania como só sei ser:
Eu)


Angélica Maria

domingo, 13 de setembro de 2015

Carta Aberta

domingo, 13 de setembro de 2015

Oi, como cê tá? Já faz um tempo, não é? Apesar de ainda não entender bem onde nos perdemos, entendo que as coisas mudaram; é que nessa bagunça toda, quando te perco é quando te encontro: em mim. E eu, ainda me encontro no’cê?

É complicado; cê sabe que pra mim tudo tem que ser intenso, que sempre tenho que me jogar de cabeça. Verdade é que me joguei sem pensar na decisão que nos trouxe até aqui – assim como me joguei nos teus braços em Junho, em Outubro, em Novembro, naquela calçada durante uma festinha de aniversário, naquele banco da praça da feirinha e tantos outros lugares que guardam segredos nossos e que se eu for botar aqui dura mais que esse carinho que tenho guardado pro’cê – e deixando bem claro como a luz do dia: é imensidão.

Te escrevo assim, moço... abertamente. Mesmo que cê não leia, mas é como cê me disse: “Se isso te conforta”. Conforta sim, moço. Se não posso ler um “Bom dia” teu, fantasio. É que te ler é te sentir nessa distância toda que sempre esteve entre nós; e hoje, não te ler é saudade. Escrevo sobre o amor; e sobre a falta dele. Faltou amor, moço? Acho que o que faltou foi botar o sentido no peito em cada mensagem, áudio, ligação, encontro e despedida.

Te escrevo por tudo que não é segredo – cê me desvendou por inteiro. Te escrevo por não poder ser mais surpresa, o inesperado. Te escrevo por tudo o que virou rotina – mas que cê não percebeu que mais bonito era o que ficava nos detalhes: no jeito como cê me olhava quando eu conversava com alguém, no jeito como eu ria quando cê me fazia cócegas, na rapidez como eu trocava de lado pra caminhar segurando na mão que cê gostava, nas piadas que cê criava sobre meu esmalte preto descascado, nas quinhentas-mil-vezes que cê me perguntava se eu tinha almoçado direito, nas quinhentas-mil-vezes que eu te pedia pra ir ao médico por causa dessa gripe que não passa e nas eticéteras que ficam. E se tem algo que não passa – só fica  é nostalgia do’cê.

A luz tá acesa, a tv tá ligada, a porta tá aberta. Se precisar te desenho um mapa – já que cê sempre foi meio bobo pra perceber que eu sempre te quis de corpo, alma e coração. E olha bem pra esse muro que cê levanta. Os dias passam rápido e brincando se foram noventa-e-tantos – em dias quentes e frios – em verso pro’cê saber:

“É uma noite longa
Pra uma vida curta”

E se te busco, cê desvia: logo eu, que sempre fugia. Cê não precisa procurar mais: eu tô aqui, moço – como sempre estive mesmo que cê não tenha percebido:

“Tô te esperando
Vê se não vai demorar”

Assim, de carta aberta – e peito aberto  pra todo mundo ver que sou feita de detalhes teus e que cê é feito de detalhes meus (por mais que esconda ou negue), e saber que cê sempre mora no olhar meu:

Eu.


Angélica Maria

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Hidrografia

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Eu já chorei muito, moço. Fiz de mim cachoeira por um bom tempo e derramei saudade por aí. É que choveu ocê no meu travesseiro e no meu chuveiro. Pra falar a verdade, moço, tem dias que são frios e cheios de neblina. Garoa. Dói ter mergulhado tão fundo em alguém tão raso. Na maioria dos dias oceano: ocê amo. No fundo, ainda sofrido, sou rio. Vez ou outra: sorrio. É que aprendi que tudo passa, assim como as águas. Não minto, ainda é difícil lidar com a correnteza me arrastando sempre procê, mas, ô seu moço, cê me conhece bem; cê sabe que sou quase sempre mar com lua cheia: maré alta, preamar. Só sei de amar. No meio da tempestade vou sendo enchente e aceitando essa gente que quer me dar de beber. Vou sendo nascente, meio água doce e meio água do mar. Vou sendo o que posso ser, não sei onde vou desaguar, onde vou parar... mas vou continuar fluindo. Indo.


Angélica Maria

domingo, 30 de agosto de 2015

Apresentação

domingo, 30 de agosto de 2015

Se tem algo que é mais claro para mim a cada dia é o quanto tudo é um ciclo. Tem um início, um meio e um final. E esse, é um pouco dos três.

Cresci gostando de escrever basicamente sobre tudo. Tive mil e um diários (alguns em conjunto com amigas que inclusive estão guardados), banquei a escritora de webnovela (saudações galera da RO e da WP do Orkut!), era a rainha do "o topo é meu", sou da antiga blogosfera (com bordas 3D e layouts prontos com nomes em inglês) e blá blá blá. Tenho muito na minha cabeça e muito o que compartilhar. Enfim, não sei se isso está no sangue (Oi, mãe!), é influência das músicas e poemas dos meus ídolos, é culpa da Astrologia, vem de outras vidas ou apenas existe em mim.

Fato é que, sempre gostei de ler e de escrever, além de desenhar. Sempre precisei dizer o que sentia e quando não podia dizer, lá estava uma caneta e uma folha de papel. Escondi esse "dom" por bastante tempo e confesso que ainda tenho vergonha, mas é tanto dentro de mim e que passei a me sentir sufocada. Preciso deixar ir...

Ainda falando sobre ciclos, a minha vida têm sido uma montanha-russa e mesmo sabendo que não sou a pessoa mais indicada para falar sobre o complexo ato de viver, sou humana. Sinto. E muito! E por isso, decidi recriar meus diários nesse cantinho e assim como disse para uma amiga: A poesia não é minha, é de quem sente. (Beijo, Lulu!)

Quero falar sobre tudo o que penso e sinto, e espero ser um ombro amigo, alguém que compartilha dos mesmos medos, inseguranças, nostalgias e paixões que você. Espero que, aqui, você consiga se reconfortar na certeza de que não está sozinho, e que, quando precisar, estou aqui para ouvir e colocar no papel - e agora, na internet - o que sentimos. 

Todos temos escolhas. Alguns seguem a multidão, outros se destacam. Esses são os meus caminhos. Essas são as minhas escolhas.

Bem, eu não sei até quando levo isso adiante ou se um dia aqui existirá algo além de versos, mas estou disposta a esperar pra ver qual vai ser. E a partir de hoje, deixo minha alma e meu coração abertos para quem quiser ler e espero que entre tantas, essa seja uma boa escolha.

Obrigada por ter me acompanhado até aqui. Nos lemos em breve...


Angélica Maria
Escolhas Alternativas © 2014